Quem não é filho único nem irmão caçula sabe o que é ter ciúmes da chegada de um irmão. Se não sabe, é porque era tão criança que ainda não tinha aquela habilidade de memorizar mágoas que a razão dá a quem cresce.
E quem não se perguntou o que vai ser quando crescer? Melhor, quem nunca foi coagido a responder essa questão existencialista, fosse nas 30 linhas de uma redação da escola ou na visita de uma tia distante que não tinha mais o que perguntar? Aliás, os adultos são cruéis. Entre si, usam o clima, o futebol, a moda para começar uma conversa. Com as crianças, falam a queima-roupa sobre papai-do-céu, 'quando crescer', 'pode e não pode' ... assuntos para os quais nem eles mesmos, nem a Filosofia, têm uma resposta redonda.
Foto: Imovision/Divulgação
Enquanto busca a tal resposta que a sociedade tanto lhe cobra, Nicolau, uma espécie (em extinção) de garoto popular sem consciência de seu carisma, arma mil planos com os colegas para não ser abandonado pelos pais quando o irmão nascer. A imaginação do grupinho e, mais ainda, seu sincero empenho em cumprir missões impossíveis aos olhos de um barbudo sensibiliza qualquer plateia. Fica no sorriso bobo dos expectadores a nostalgia do tempo em que sonhar era coisa séria.
Já o cinema, ao ascender as luzes, deixa nostalgia do próprio filme, de uma leveza, despretensão e universalidade que pouco se vê em cartaz. Infelizmente, 'Amélies Poulain' e 'Nicolaus' estão em poucos roteiros de nossa geração. Empenhada em fazer do Cinema uma extensão do noticiário, ela não percebe que constrói um dos primeiros clichês do século XXI.

Oi, Kívia. Fale mais sobre o filme. É um filme francês de última safra? Estou para escrever sobre um filme que gostei: Up in the Air, Amor sem Escalas.
ResponderExcluirAbs do Lúcio Jr.